RH pra quê?!
Em várias empresas, podemos observar RHs perdidos, sem função específica. A maioria que vi até hoje, acha que apenas a implantação de atividades como aquelas “brincadeirinhas” de dinâmicas em grupo, já é o suficiente para conhecer os funcionários ou lhes passar “lição de moral”. Me dá a impressão, que foram todas pegas da internet, apenas para “encher lingüiça”.
Que me perdoem os psicólogos de plantão, que acham que essas dinâmicas são ótimas mas então eu me pergunto, ótimas pra quem?? Não há uma empresa onde eu mesma já tenha trabalhado, que o grupo de funcionários não sai achando aquilo ridículo (e era) por ninguém entender o seu objetivo ou simplesmente ser para algo tão fútil.
Enfim, porque não trabalhar o funcionário de forma mais realista (não como retardados), ensinando com exemplos reais (cases) e práticas, que realmente irá motivar e mostrar a eles o que será mais eficiente nas empresas e em suas vidas profissionais?
A exemplo do que um RH não deve fazer, em uma oportunidade, fui chamada para uma entrevista. Ao chegar no local (com antecedência no horário), já tinham pelo menos quase 150 pessoas a serem atendidas. Obviamente, não eram todos para a mesma vaga, mas acreditem, seriam atendidas pelas mesmas duas pessoas disponibilizadas do RH. Vendo que não dariam conta de atender a todos até um determinado horário, dispensaram metade, pedindo para retornar em outro dia. Por ser uma empresa grande e conceituadíssima, daquelas que é o sonho de todos entrar, voltei novamente apesar de achar que a bagunça só estava começando. Minha intuição não falhou. Ao chegar no local, ainda haviam muitas pessoas novamente para atender e apenas para cumprir o cronograma, nos deram correndo testes psicológicos (ali muitos já achavam que era só pró-forma) e também, obviamente como “não poderia faltar”, aplicaram uma dinâmica onde um determinado grupo que participei, tinha que levantar um bambolê. Cada um de nós deveria segurá-lo com apenas um dedo em uma determinada extremidade. O “desafio”, era todos levantarem o bambolê de forma uniforme, sem que um lado levantasse mais que o outro.
A explicação, era que seria avaliado o trabalho em grupo. Agora me respondam, como poderiam avaliar a competência de cada um dos participantes apenas pedindo para levantar um bambolê com o dedo? Será que o fato de não ter coordenação motora perfeita significa também que aquela determinada pessoa não é inteligente suficiente ou não sabe trabalhar em grupo??
Senhores, informo que a pior coisa é julgar funcionários ou candidatos a funcionários, como (desculpem a palavra) "imbecis" pois acreditem, muitos deles podem ser muito mais inteligentes do que pensam, não estando apenas no mesmo patamar empregatício ou por falta de sorte ou simplesmente por não ter um QI que lhe favoreça. Não preciso nem dizer a decepção e a impressão que fiquei daquela empresa que eu tanto admirava.
Um RH sério de uma instituição, tem o papel de fornecer para a empresa, dados do seu clima organizacional, descobrir e mostrar habilidades e competências que possam estar escondidas ou mal qualificadas dentro dela. Descobrir talentos novos e encaixá-los de forma favorável, entre outras ações.
Apenas complementando, em outra experiência, uma empresa ordenava rodízios de posição de funcionários para a área de atendimento ao cliente na empresa, achando que com isso evitaria fofocas e coisas do tipo. Tentei explicar (na tentativa de abrir os olhos), que não se altera o caráter de uma pessoa fazendo rodízio de posição pois se a pessoa tem tendência a esse tipo de comportamento, ela vai levar isso para onde for. Com essa atitude, a única coisa que estava fazendo, seria acabar com a qualidade de atendimento pois os clientes não aguentavam mais encontrar pessoas diferentes cada vez que queria ser atendido.
É preciso que as empresas fiquem mais atentas a suas atitudes e contratações. A área de RH é uma das mais importantes da empresa, pois é ela que vai ter a oportunidade de escolher funionarios competentes ou simplesmente, lhe aproximar ou lhe afastar dos funcionários que você possui. Pense nisso.
Abraços e até a próxima!!
Anne G. Silva